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Sebastião Salgado: “Não sei o que é Instagram”

O fotógrafo diz que continua a usar métodos tradicionais, apesar de ter abandonado a câmera convencional há cinco anos

LUÍS ANTÔNIO GIRON

 

O fotógrafo Sebastião Salgado, de 69 anos, fala a ÉPOCA sobre sua arte e seus métodos de trabalho, na segunda parte da entrevista (leia a primeira parte em ÉPOCA desta semana), realizada no Museu do Meio Ambiente do Jardim Botânico, Rio de Janeiro, na segunda-feira (27). Ele diz não se enquadrar no gênero fotojornalismo, nem mesmo na fotografia “de arte” – prática que ele considera excessivamente comercial. Diz que vende caro suas fotos porque tem quem compre, não porque se considere um artista da fotografia. “Gosto de contar histórias a partir de minhas séries”, afirma. “Em mais de 40 anos de carreira, realizei três grandes histórias: Êxodos,Trabalhadores e agora Gênesis. Minha vontade é narrar algo. Por isso, aprendi a cantar enquanto vou clicando. Cantar me aproxima de um fluxo linear e constante e me ajuda a pensar em um enredo.”

 

O fotógrafo Sebastião Salgado, retratado no Museu do Meio Ambiente do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro (Foto: Daryan Dornelles/ÉPOCA)
O fotógrafo Sebastião Salgado, retratado no Museu do Meio Ambiente do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro (Foto: Daryan Dornelles/ÉPOCA)

ÉPOCA – O fato é que seu trabalho não tem nada de fotojornalismo, uma prática da geração anterior à sua. Qual a sua escola, enfim?
Sebastião Salgado – 
Minha escola não é fotojornalismo. Eu conto uma história inteira por meio do trabalho fotográfico, então isso me consome tempo e energia. A minha fotografia tem um caráter simbólico. No momento em que você faz uma intervenção, muitas coisas são anteriores. A luz de um fotógrafo vem com ele. É a luz da sua vida. Nasci no Vale do Rio Doce (Minas Gerais), uma região montanhosa com raios de luz – e eu sozinho, menino, no fundo da fazenda do meu pai. E isso eu carrego comigo. Eu sempre fui muito claro e andava pela sombra. Então tudo o que vinha para mim vinha contra a luz. Essa poesia da contraluz está dentro de mim, intuitivamente. O fotógrafo de estúdio fabrica a luz. Sou um fotógrafo do lado de fora, que fotografa a luz natural, domino essas luzes, eu sei o momento em que corro atrás delas e combinam. No instante em que você tira uma foto, não há tempo para pensar em composição, diagonal, na luz, na dinâmica. Isso é intrínseco. Por isso muita gente usa câmara, mas poucos são fotógrafos. Luz, composição, são as constantes. Depois vêm as variáveis: a ideologia – o conjunto de coisas que você viveu, sua ética, suas escolhas. Nenhuma fotografia é objetiva. Ao contrário, é subjetiva.

 

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