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O que é a fotografia no cinema?

Enviado por Fernando De Lucca
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É de conhecimento geral que a expressão foto quer dizer luz. Da mesma maneira em que a fotografia estática capta o seu redor e imprime a imagem através de feixes controlados de luz, o cinema o faz com movimento. A luz queima o filme e a sucessão das fotos, dos quadros, transmite a sensação da moção. A fotografia no cinema, também chamada de cinematografia, compreende esse conceito da captação somando a visão do diretor; o diretor de fotografia trabalha com o diretor para possibilitar sua linguagem a ser expressa no filme. Maneja as câmeras, determina as lentes e os filtros, controla a cor. O diretor de fotografia é o responsável pela iluminação de um filme.
Há muito que se contar através da luz. Enquanto elementos do departamento de arte controlam o visual da mise-en-scène (expressão para designar o espaço aparecendo no quadro), o diretor de fotografia cuida do clima do plano; dependendo da luz, a atriz pode se tornar ainda mais triste ou o ator ainda mais irritado. O bom diretor de fotografia precisa ter um domínio pleno sobre a luz e engajá-la como meio de narrativa. Tudo em um filme precisa contar a história.
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O conceito da luz como uma forma de arte é intrínseca ao nascimento do cinema em níveis moleculares. Desde os primeiros filmes, nas décadas de 20 e 30, onde a captação do som ainda não havia surgido (obviamente, o Cinema Mudo), os diretores e diretores de fotografia sabiam que, como toda forma de arte, há a inspiração vinda de outras expressões artísticas. Algumas décadas antes, tomou forma na Europa o Expressionismo, movimento modernista com ênfase na angústia pessoal do artista e no retrato, a maneira mais alta de jogar tudo o que sente na tela, mas sempre tomando cuidado com a exposição da luz do ambiente. Macke Kirchner, por exemplo, são dois fortes nomes na pintura expressionista. A ânsia da expressão era tão grande que não pôde ser contida. Dança, escultura e poesia foram alguns âmbitos que se apropriaram do movimento para dar um novo passo. No cinema, no entanto, houve uma repercussão estética mais intensa, que ressoou por muitos anos e moldou vários outros futuros movimentos e gerações. Abrigando-se particularmente na Alemanha, surgiu o Expressionismo Alemão.
Geralmente com ambientações ecléticas, o cinema europeu teve um pontapé inicial influenciado pelas pinturas, onde não apenas a performance dos atores devia ser mais densa, mas o plano se transformava em um quadro, e o diretor, o pintor. Nessa época, diretores como F. W. Murnau eFritz Lang, responsáveis por clássicos como Nosferatu Metrópolis, se apropriavam inclusive doArt Deco para inovar seus filmes e transformá-los em peças de arte tais como os retratos dos expressionistas. O já batido termo “pintar com a luz”, muitas vezes direcionado à fotografia e ao cinema, nunca fez tanto sentido como aqui.
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Mais para frente, diretores e roteiristas revolucionavam estilos e conceitos constantemente.Tim Burton, por exemplo, é um diretor contemporâneo que frequentemente cita o filme mudoO Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene, como uma de suas maiores inspirações. Para os diretores de fotografia, a impressão deixada pelo Expressionismo Alemão ainda permanecia. Com novos movimentos cinematográficos surgindo a cada década, tanto em Hollywood quanto na Europa, a relação diretor-fotógrafo precisava evoluir junto. O diretor de fotografia precisa trabalhar lado a lado com o diretor e entender suas intenções, estilo e linguagem. Dessa relação, surgiram parcerias memoráveis, onde o nome de um sempre acaba ligado ao outro. É o exemplo de Ingmar Bergman, um dos maiores cineastas de todos os tempos, e seu parceiro, odiretor de fotografia Sven Nykvist.
Bergman é o principal nome do cinema sueco. Um dos diretores mais importantes para a arte cinematográfica, seus filmes tinham como temas recorrentes a morte, a fé, a devoção e a frieza do ser humano. Sempre com roteiros pesados, Nykvist captava pela câmera uma simbiose entre a luz e a história. Os cenários eram sempre iluminados com maestria; o maior exemplo disso é no filme Gritos e Sussurros, um dos melhores e principais trabalhos de Bergman, onde as paredes de uma melancólica mansão são vermelhas, mas a imagem só fica gravada em sua mente pela intenção com que a luz as enaltece, contrapondo com a frieza e palidez das protagonistas que passam frente a elas, usando vestidos de cores com pouca vida.
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Nykvist também já trabalhou com o diretor e roteirista Woody Allen em dois filmes (Crimes e Pecados e A Outra), que, por sua vez, já trabalhou por muitos anos ao lado de um fotógrafo fiel que compreendia a beleza do preto-e-branco: Gordon Willis. Em um dos mais famosos filmes de Allen, Manhattan, o diretor descreve a cidade, capital do mundo, como algo de beleza que só pode ser intensificada com este tipo de coloração. “Nova York é uma cidade em preto-e-branco”, diz Allen. Manhattan é um filme tão lindamente fotografado que muitos até afirmam que às vezes esquecem sobre o que era o enredo. Bastou ver a cidade com suas cores verdadeiras, retratadas com charme e romance.
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No decorrer dos anos, foram surgindo muitos outros nomes em cinematografia. Robert Richardson trabalhava frequentemente com Martin Scorsese, e ganhou três Oscars em sua carreira. Vittorio Storaro, também vencedor de três estatuetas, fotografou dois importantes filmes para a história mundial do cinema: Último Tango em Paris Apocalypse Now, respectivamente de Bernardo Bertolucci e Francis Ford Coppola. E finalmente, nos anos 70, vindo com a onda da Nova Hollywood, surgiu John Alcott, diretor de fotografia dos mais famosos filmes de Stanley Kubrick.
Cada filme de Kubrick representava uma grande inovação artística – 2001: Uma Odisseia no Espaço com seus efeitos mecânicos e gráficos, por exemplo – e Barry Lyndon, seu último filme da década de 70, não foi exceção. Alcott fotografou quase o filme todo sem o uso de luz elétrica – ou seja, fresnéis e lâmpadas foram praticamente abolidas dos sets. Se fosse dia, o cenário era inteiramente iluminado com a luz do sol vinda da janela. Se de noite, ou em ambientes fechados, luz de velas. A qualidade do ambiente foi filmada com naturalidade, portanto, passando a sensação mais uma vez de pintura, remetendo às raízes da cinematografia.
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Com isso, tanto na fotografia estática como no cinema, pode-se perceber, mesmo que com obviedade, que sem a devida iluminação, o clima do quadro pode ser arruinado. Não importa se há uma imagem maravilhosa do outro lado da câmera ou um roteiro com uma história espetacular e revolucionária; é de extrema importância saber fotografar com o mesmo cuidado com que se planeja todo o resto. Afinal, não há foto sem luz. 

 

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Fernando De Lucca

 

 

Fonte: http://fotografeumaideia.com.br

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