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Curador fala sobre a mostra “Antanas Sutkus: Um Olhar Livre”

 

Uma das exposições de fotografia mais emocionantes da temporada, “Antanas Sutkus: Um Olhar Livre”, que ocupa o Centro Cultural dos Correios até o dia 21 deste mês, chega a seu grande momento. Acontece nesta quinta-feira, 11 de julho, às 16h30, uma mesa redonda com a presença do elogiado fotógrafo lituano nascido em 1939, que registrou cenas cotidianas de seu país, sem o formalismo do regime, quando este pertencia à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

 

Para saber um pouco mais sobre este trabalho de mais de três décadas e sua mostra itinerante – que já passou por Toulouse (França), Fortaleza, Salvador, Tiradentes, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília e São Paulo – conversamos com o curador, Luiz Gustavo Carvalho. “Eu estou muito contente com este projeto, pois além do Antanas de ser um grande fotógrafo, é pessoa muito inspiradora quando fala. E isso vai enriquecer muito a exposição”, conta.

 

O Centro Cultural dos Correios fica na Rua Visconde de Itaboraí 20, Centro. O debate tem entrada gratuita.

 

Como foi seu primeiro contato com a obra do fotógrafo?

Eu conheci durante as comemorações do aniversário de Jean Paul Sartre, na França. As primeiras imagens que eu vi foram de uma série que o Antanas fez durante a visita do Sartre à Lituânia, quando ele tinha apenas 26 anos (em 1965). E essa coleção me marcou muito. Era início dos Anos 2000. Depois, eu morei quatro anos em Moscou e lá tive a oportunidade de conhecer mais profundamente o seu trabalho. Vi outras imagens, não relacionadas ao Sartre, que me marcaram ainda mais. Então eu decidi procurá-lo em Vilnius, onde ele mora até hoje. E, desde o início nós tivemos uma afinidade espontânea. Então propus a ele de trazer sua mostra individual para o Brasil, onde até então nunca tinha sido apresentada, e nem na América do Sul. E nós fizemos também a primeira retrospectiva dele na França em 2011 e depois eu trouxe a mostra para o Brasil onde ela está itinerante desde 2012, em diversas cidades do interior e capitais.

 

O que te emociona nessas imagens?

O que mais me impressionou é o fato de serem imagens extremamente elaboradas, de composições geométricas complexas, mas ao mesmo tempo de como o artista se deixa seduzir por “acidentes”. E como o trabalho, mesmo sendo elaborado, é muito visceral. Isso me tocou muito. Primeiramente porque eu acho que é algo que falta muito na fotografia contemporânea e que, mesmo na fotografia da escola soviética é onde eu sinto falta de uma maior espontaneidade, do coração, do humanismo. E é interessante que as imagens do Antanas levam, sem dúvida nenhuma, à associação com fotógrafos humanistas franceses como o Robert Doisneau. E nesse meu encontro com o Antanas se ele chegou a se inspirar nesses fotógrafos e ele disse que veio a conhecer a obra do Doisneau – que ele chama até hoje de “irmão mais velho” – quando essas imagens já estavam todas feitas. Eu achei interessante de ver também como um mesmo olhar pode surgir em vários pontos do globo, sem existir um intercâmbio.

 

Qual imagem da exposição é a mais icônica, que você destacaria?

É uma resposta difícil. Nos 40 anos que o Antanas fotografando de maneira intensa, ele fez uma série chamada “Pessoas da Lituânia” com objetivo de retratar cenas cotidianas de seu país. Mas é claro que tem imagens extremamente emblemáticas como o caso do “Pioneiro” ou do “Pioneiro Cego” que ele fez em uma escola de fotografia para crianças cegas. São crianças tensas, que não sorriem. E que refletem, eu até diria de uma maneira tenra e meiga, uma estética nada bem vista durante o regime na União Soviética. Foram fotos que causaram imensos problemas para a segurança dele e de sua família. Então, talvez, seriam essas duas fotos.

 

 

Fale um pouco do seu trabalho de curadoria.

Ele foi extremamente enriquecedor para mim e bastante difícil, porque o Antanas tem um acervo muito vasto, com quase um milhão de imagens, muitas delas que ele não mostrou durante o regime porque ele sabia que elas nem iam passar. O acervo dele permite ainda algumas mostras com fotos totalmente inéditas. Escolher todas essas imagens para o Brasil foi um trabalho que não foi nada fácil. Eu passei uma semana em Vilnius pesquisando os arquivos. E algumas fotos que estão sendo exibidas são mundialmente inéditas. Foi muito estimulante para mim.

 

 

E qual foi a emoção dele de redescobrir essas fotos?
Para ele, até hoje, quando ele está trabalhando na ampliação e restauração de negativos é extremamente emocionante. Antanas não fotografa mais por questões de saúde, mas ter um contato hoje com uma imagem que foi tirada nos anos de 1970, 1960, é como se ele tivesse a oportunidade, a cada dia, de revisitar a sua juventude.

 

 

Como foi para o público brasileiro, tão acostumado a cores, ter contato com essas fotos da Lituânia, em preto e branco, que não fazem parte do nosso repertório de imagens?

O critério que eu usei na escolha das imagens foi puramente artístico. Eu acho que o trabalho do Antanas o enquadra, com certeza, entre um dos maiores fotógrafos vivos da atualidade. Mas eu acho que a exposição tem um outro objetivo, no Brasil, no caso, que é o fato de dar oportunidade, através dessas fotos de nós entrarmos em contato um país tão distante e tão desconhecido para a gente. Durante as aberturas das exposições, muitas vezes as pessoas vieram falar comigo que se identificavam com algumas imagens. A mostra esteve, por exemplo, em Tiradentes, e muita gente falou que as imagens lembravam suas infâncias no interior. E eu acho que é justamente esse humanismo do Anatanas que faz com que essas fotos façam parte de um contexto, que é o caso de um país ocupado durante a União Soviética, mas são imagens completamente universais. Teve um ponto da mostra que foi muito interessante: em São Paulo, onde vive a segunda maior comunidade de lituanos fora do país. O que tinha de pessoas falando em lituano ou que nasceram no Brasil, mas através dessas fotos puderam visitar ou revisitar o país. Foi muito emocionante.

 

 

Fonte: http://www.artrio.art.br

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