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Fotografia ou o fascínio da imagem, por Italo Calvino

amores dificeisQuando A aventura de um fotógrafo, do livro OsAmores Difíceis de Italo Calvino foi escrito, ainda era preciso revelar um filme para se obter uma foto. Quem viveu essa época sabe a distância enorme que é fotografar com filme, esperar para ver seu resultado e pagar por cada foto, do que vivemos hoje, com imagens fáceis e imediatas em qualquer aparelho. Isso causou um enorme impacto sobre o que é fotografar. Outro fenômeno, ainda mais recente, é o compartilhamento das fotos em redes sociais. Agora não é mais preciso sentar com um amigo e lhe mostrar suas fotos – as fotos dos outros nos chegam instantaneamente, independente da nossa vontade, através de links e atualizações de perfil. Das fotos raras, em preto e branco, que reuniam toda família para um único registro de toda uma vida, hoje vivemos uma overdose de fotos, onde até o almoço de alguém merece virar imagem e informação.

Por isso que esta citação me parece tão interessante. As fotos não estavam tão presentes e Italo já fazia esse tipo de análise sobre o impacto delas nas vidas das pessoas. É uma verdadeira profecia.

– Porque, uma vez que você começou – perorava -, não há nenhuma razão para parar. O passo entre a realidade que é fotografada na medida em que nos parece bonita e a realidade que nos parece bonita na medida em que foi fotografada é curtíssimo. Se você fotografa Pierluca enquanto ele está fazendo castelo de areia, não há razão para não fotografá-lo enquanto está chorando porque o castelo desmoronou, e depois enquanto a ama o consola fazendo-o encontrar no meio da areia uma casquinha de concha. É só você começar a dizer a respeito de alguma coisa: “Ah, que bonito, tinha era que tirar uma foto!”, e já está no terreno de quem pensa que tudo o que não é fotografado é perdido, que é como se não tivesse existido, e que então para viver de verdade é preciso fotografar o mais que se possa, e para fotografar o mais que se possa é preciso: ou viver de um modo o mais fotografável possível, ou então considerar fotografáveis todos os momentos da própria vida. O primeiro caminho leva à estupidez, o segundo à loucura.

A aventura de um fotógrafo, p.54

 

 

Fonte: http://caminhandoporfora.sul21.com.br

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