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O olhar documental de Milton Guran sobre os povos indígenas do Brasil em exposição no Centro Cultural Correios (RJ)

AUDREY FURLANETO (EMAIL)


“Kamayurá, Xingu, 1978”: a primeira fotografia indígena de Guran
Foto: Divulgação/Milton Guran
“Kamayurá, Xingu, 1978”: a primeira fotografia indígena de Guran Divulgação/Milton Guran

RIO – Era 1978, e o então repórter fotográfico do “Jornal de Brasília” Milton Guran encontrou o cineasta Vladimir Carvalho numa pauta. Carvalho puxou conversa, elogiou o trabalho de Guran e emendou: “Amanhã vou para o Xingu. Vamos?”. O convite (aceito) fez de Guran um dos principais fotógrafos de índios do país: desde 1978, acumulou 15 mil fotos e tornou-se respeitado antropólogo.

A partir desta quarta, ele exibe um recorte de sua produção como fotógrafo em “Filhos da Terra”, mostra que o Centro Cultural Correios abre às 19h, para convidados, e que ficará em cartaz até 14 de janeiro. Guran coletou 50 imagens em preto e branco desde a primeira, no Xingu (feita na ocasião do convite de Vladimir Carvalho), até as últimas de sua produção, em 1991, quando passou a se dedicar aos estudos acadêmicos — ele é doutor em Antropologia pela prestigiada École des Hautes Études en Sciences Sociales, na França.

Guran cita o teórico da fotografia André Rouillé — para quem há duas categorias (a arte dos fotógrafos e a fotografia dos artistas) — a fim de situar sua produção:

— Trabalho com a arte da fotografia, não sou artista. O que determina o resultado de meu trabalho é o mundo real, e não o que está na minha cabeça.

Foi assim que, na primeira foto que fez de índios, em 1978, no Xingu, Guran apenas pousou o dedo sobre o botão da câmera ao se deparar com duas índias da etnia kamayurá.

— Eu dormia numa maloca e acordei para fazer xixi na mata, quando vi as duas moças. A foto mostra o nível de abandono da menina que é pintada, e a concentração da que pinta, como duas amigas que se pintam para sair à noite — diz ele.

Nesta primeira e em todas as fotos sequentes, Guran não usou de recursos de finalização para tratar a imagem, algo comum a artistas que voltam suas câmeras aos índios (“Como faz a brilhante Claudia Andujar”, ele cita). O olhar de Guran é documental.

Ele viajou pelo país com equipes da Funai, foi fotógrafo do Museu do Índio e tem registros raros de rituais (de casamento ou iniciação xamânica) em distintas etnias. Muitas vezes, esteve nos primeiros contatos de índios com “homens brancos” — e registrou o encontro, como em “Wokarangma (Arara do Rio Iriri), Pará, 1989”. Na foto, o índio se deixa fotografar depois de tocar a pele do fotógrafo e de testar a câmera ele próprio.

Se na primeira sala da mostra Guran exibe os contatos com índios no Xingu e alguns indícios da aculturação das etnias, no segundo ambiente da exposição já se veem famílias indígenas degradadas, resultado trágico da “fricção interétnica”, nas palavras do antropólogo:

— Aqui você vê 15 anos de fotografia. Nesse tempo, meu olhar e minha sensibilidade foram instrumentalizados pela antropologia. Mas passei a fotografar menos. A antropologia enquanto ciência é redutora, e a fotografia, como forma de expressão, é transcendental.

Fonte: http://oglobo.globo.com

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