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Guia completo para aprender fotografia

Por Caroline Hecke

 

fotografia

 

Fotografia é uma arte apreciada por muitos, e para começar a falar dela, o melhor é explicar sua etimologia:  “Foto-Grafia. Escrever com luz”. Mais especificamente, do grego “fós” (“luz”), e ”grafis” ou “grafê” (“pincel”), ou algo como desenhar com a iluminação. Assim, você já pode entender a essência da arte de fotografar.

Até pouco tempo atrás, a importância da luz era algo mais óbvio na fotografia, já que o uso dos filmes (e sua sensibilidade à iluminação) deixava isso bastante claro. Hoje, com a popularização das imagens digitais, a criação da fotografia dentro da câmera virou algo muito mais abstrato. Ainda assim, a luz é o ponto essencial para criar uma imagem – e você já vai entender o porquê.

Como funciona a câmera fotográfica

Poderíamos passar um bom tempo detalhando o funcionamento de uma câmera, mas vamos direto ao ponto que vai ajudar você a entender melhor como tudo acontece. Na hora do clique, a luz do local passa pela lente e é enviada ao sensor – no caso das analógicas, para o filme. Tudo o que estiver iluminado o suficiente vai aparecer, formando a imagem.

A quantidade de luz que entra na câmera é o que determina se ela terá uma exposição apropriada ou se ficará superexposta ou subexposta. Para definir isso, o fotógrafo precisa levar em conta três variáveis, sempre considerando a iluminação do ambiente: ISO, abertura do diafragma e velocidade do obturador. Todas elas podem ser alteradas em equipamentos que contam com o modo M (manual).

ISO

Também chamado como “velocidade do filme”, o ISO é o que determina a sensibilidade do filme perante a luz. Nas câmeras analógicas, é preciso escolher o ISO na hora de comprar um filme. Os mais sensíveis e mais indicados para ambientes escuros são os de ISO mais alto, como o ISO 800. Os menos sensíveis e indicados para lugares com muita luz são os de baixo ISO, como o ISO 100.

ISO

 Filmes de diferentes ISO. Imagem: Reprodução/Lomography

O mesmo conceito foi levado para a fotografia digital: em uma câmera, você pode determinar o grau de sensibilidade do sensor à luz. Ao escolher um ISO mais alto, porém, a granulação na imagem também aumenta.

Como configurar?

Os menus variam a cada marca e modelo de câmera. Por isso, no modo manual de seu equipamento, procure pelo ISO nos menus de ajuste. Quanto mais alto o número, mais sensível seu sensor ficará.

Obturador

O obturador é um dispositivo da câmera que determina por quanto tempo o filme ou o sensor digital será exposto à luz. O obturador só é aberto com o acionamento do botão de disparo, fazendo com que a luz entre no equipamento.

 

 

Para entender melhor a relação do obturador com o resultado da imagem, imagine o seguinte: um fotógrafo está parado e se prepara para fotografar um objeto em movimento. O objeto então atravessa o quadro determinado pelo fotógrafo, horizontalmente, até sair de cena.

Se a velocidade de abertura do obturador for baixa e o mecanismo permanecer aberto por mais do que uma fração de segundo, a imagem será captada continuamente, enquanto o objeto passa por frente da câmera. O resultado seria uma imagem borrada.

Como configurar?

O tempo de exposição se mede em frações de segundo. Em uma câmera comum, ele pode variar entre 30s até 1/4000. Algumas câmeras também contam com o modo “B” (bulb), que deixa o obturador aberto pelo tempo em que o botão de disparo estiver pressionado.

O número indicado no display da câmera é sempre a parte de baixo da fração, ou seja: na exposição 1/3000, a câmera deve exibir apenas o número 3000. Ao passar para os segundos, o equipamento passa a usar apóstrofes para indicar o tempo (2’ para dois segundos, por exemplo).

Diafragma

O diafragma é o que define a quantidade de luz que entrará na câmera, indicando a intensidade com a qual o sensor (ou o filme) receberá a luz. Enquanto o obturador determina por quanto tempo o sensor será exposto, o diafragma é o que faz com que o equipamento receba muita ou pouca luz.

diafragma

Imagem: Reprodução/PhotoCentral

Ao contrário do obturador, que abre e fecha a cada disparo, o diafragma fica sempre aberto na posição indicada pelo fotógrafo. O diafragma forma uma dupla inseparável com o obturador: o fotógrafo sempre precisa ajustar ambos os elementos para obter a imagem desejada.

Por exemplo: você pode aumentar a abertura do diafragma para fazer imagens nítidas de um objeto em movimento em um ambiente menos iluminado. O diafragma fica na própria lente e a sua capacidade de abertura varia conforme o modelo escolhido.

Como configurar?

O diafragma é medido por um valor determinado pela letra “f”. Quanto menor o valor de f, mais aberto estará o seu diafragma. Como já citamos, a capacidade de abertura do diafragma vai depender da lente utilizada. Lentes consideradas “mais claras” podem ter aberturas a partir de f/1.4, por exemplo, enquanto as lentes comuns partem de f/2.8, chegando até ao f/11 ou f/22.

O fotômetro e a exposição ideal

Para quem está começando, o “cálculo” para determinar cada elemento pode parecer um pouco confuso. Por isso, você vai precisar ficar sempre de olho em um dos elementos mais importantes do equipamento: o fotômetro.

O mecanismo ajuda os fotógrafos a perceberem se a imagem terá a exposição adequada, mesmo antes de fazer o clique. O fotômetro interpreta a luz do local conforme as configurações determinadas pelo usuário, indicando o quão próximo da exposição “perfeita” ela ficará.

fotometro

Marcação do fotômetro

Sua medição aparece em uma pequena régua, como a da imagem acima. Se a seta estiver no meio, significa que a exposição é a ideal. Se ela estiver pendendo para o lado esquerdo, a fotografia ficará muito escura. Se ela pender para o lado direito, significa que há luz em excesso entrando na câmera, o que poderá deixar a foto muito clara. Nos casos mais extremos, a imagem subexposta ficará completamente preta, enquanto a superexposta ficará totalmente branca.

Balanço de branco

A luz que bate nos objetos e é refletida para dentro da câmera pode aparecer em diversas cores. Isso muda conforme a fonte de iluminação usada e a cor dos próprios objetos, que podem refletir tons diferentes. Para que as cores sejam apresentadas da maneira correta, é preciso manter o ajuste sempre da forma adequada para cada situação.

WB

Imagem: Tradução/Exposure Guide

A diferença nos tons é medida por algo chamado temperatura de cor, que é medida em Kelvins. Para entender um pouco melhor, você pode conferir a medição na tabela acima.

Como configurar?

Existem diversas formas de ajustar isso: algumas câmeras contam com o controle manual e outras trazem o balanço pré-definido e você só precisa escolher opções entre “Sol”, “Luz incandescente”, por exemplo.

Sua câmera também deve contar com o modo automático (AWB). Ele pode ser uma boa opção para quem não quer perder tempo com o ajuste, mas tende a deixar as imagens sem vida.  Se for o caso, você também pode fazer as correções necessárias posteriormente, por meio de softwares de edição, porém, isso já é uma missão para os mais experientes.

Nem todas as câmeras contam com o ajuste de balanço de branco manual, mas, se ele existir, procure no manual o caminho do menu para chegar até ele. Com isso, é hora de “bater o branco”.

Escolha uma superfície de cor cinza não muito escura e pouco refletiva (muitos fotógrafos preferem carregar um cartão cinza 18% especificamente para isso) e faça a nova medição. Na falta do cartão cinza, escolha uma superfície branca, porém, essa não é a melhor opção.

Foco

Nem sempre uma foto sai completamente nítida, o que pode indicar que ela tenha ficado fora de foco. O foco pode ser uma arma poderosa para quem quer criar belas imagens. Escolhendo qual objeto vai ganhar destaque, você pode mudar completamente a sua fotografia.

Como ajustar?

O foco pode ser ajustado de forma manual, girando o anel de foco da lente até que você visualize o assunto completamente nítido na tela. Se preferir, você pode deixar a câmera no modo manual e o próprio equipamento vai interpretar o que precisa ganhar destaque na imagem.

Profundidade de campo

caroline hecke

Baixa profundidade de campo deixa elementos mais distantes desfocados. Imagem: Caroline Hecke

A profundidade de campo, também conhecida como DOF (“depth of field” em inglês) é o que define o quanto os objetos próximos do foco da imagem também estarão focados. Quanto maior o DOF, mais coisas ao redor do objeto ficarão focados. Com um DOF menor, tudo ao redor do seu objeto principal poderá perder o foco.

Como controlar?

Existem duas formas de controlar a profundidade de campo: mudando a abertura do diafragma e mudando a sua posição perante o objeto fotografado. Com uma maior abertura (f/1.4, por exemplo) o DOF será menor, o que deixará o fundo da imagem mais desfocado; com uma abertura menor, a profundidade de campo aumenta.

Para lentes mais simples, com menor abertura, você pode aumentar a profundidade de campo ao se aproximar do objeto. Quanto mais perto do objeto fotografado, mais desfocado ficará o fundo, porém, o efeito não é tão impressionante quando com o ajuste feito pelo diafragma.

É hora de praticar

Depois que você já conhecer bem o funcionamento da sua câmera, o primeiro passo é observar imagens que você considera bonitas e tentar entender como elas foram criadas. Isso ajuda a aumentar o domínio das técnicas e também auxilia na criação de uma linguagem própria.

Em alguns grupos específicos de discussão ou redes como o Flickr, você encontra detalhes sobre as fotografias, como as configurações de ISO, velocidade e abertura utilizadas. Em alguns casos, os relatos do fotógrafo também podem detalhar o trabalho.

Você pode tentar recriar imagens com a sua própria câmera, encontrando a sua própria versão daquilo que gosta. Após algum tempo, você será capaz de trilhar seu próprio caminho usando a criatividade ao somar técnicas e criar seu próprio estilo.

Matéria completa: http://canaltech.com.br/materia/fotografia/Guia-completo-para-aprender-fotografia/#ixzz31oKJcmU7
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