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Cannes se curva a Sebastião Salgado

By: Vanessa Wohnrath

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CANNES O Brasil saiu de Cannes com alguns prêmios. Entre os longas, o mais celebrado foi o documentário “O Sal da Terra”, que venceu um prêmio especial do júri da Mostra Um Certo Olhar. Coprodução com a França e a Itália, o filme destaca a obra do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado e tem direção do filho do artista, Juliano Ribeiro Salgado (documentário televisivo “Nauru, une Île à la Dérive”) e do famoso cineasta alemão Wim Wenders (documentário “Pina”).

“Queríamos passar uma mensagem de esperança e de otimismo e fomos reconhecidos pelo júri”, agradeceu Juliano Salgado, ao receber o prêmio.

As fotos em preto e branco de Sebastião Salgado, revelando temas da humanidade como a desigualdade social e também asdestruições e maravilhas da natureza, ganham destaque no documentário, que traz o próprio fotógrafo revelando as histórias por trás de suas obras. “Era como seu eu tivesse vendo toda a história da humanidade, a construção das pirâmides no Egito. Não se ouvia o barulho de uma única máquina”, conta ele em cena, referindo-se às célebres fotos de Serra Pelada nos anos 1980.

 

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O documentário relembra a história do fotógrafo, que abandonou a carreira de economista para se dedicar à arte da fotografia há 40 anos, graças a uma foto que ele tirou da mulher, Lélia, na catedral de Notre Dame em Paris. O longa ainda abre espaço para o trabalho do artista no Instituto Terra, criado por ele e a mulher, que é dedicado a plantação de mudas de espécies de Mata Atlântica.

“Isso começou na fazenda da nossa família. Estava tudo seco, e começamos todos a plantar árvores. Meus pais disseram: ‘Vamos reflorestar a selva’ e eles já semearam mais de 2 milhões de árvores. Por isso, era importante transmitir esta mensagem positiva sobre a vontade e a possibilidade de mudar o mundo”, disse Juliano em conversa com a imprensa no festival.

Segundo Wenders, esse contato do artista brasileiro com a natureza é uma redenção após testemunhar tantas coisas terríveis. “Salgado veio do coração da escuridão, por isso, plantar mudas da floresta tropical, reanimar o chão morto, o puxou para fora daquele terrível buraco e lhe ajudou a se reinventar, assim como, como a sua fotografia.”

Juliano concordou com Wenders quanto à reinvenção de seu pai. “Ele teve de se reinventar. Ele sempre foi muito compreensivo, usando suas fotos para se comunicar com as pessoas, mas agora ele tem algo a transmitir que não é simplesmente uma mensagem sobre problemas sociais complexos. É algo mais positivo.”

A produção não serviu apenas para mostrar o trabalho incrível de Salgado, mas também foi a oportunidade de pai e filho terem mais contato. “Ele nunca estava em casa, estava sempre viajando. Havia uma grande distância entre nós dois. Mas foi graças ao filme que finalmente consegui aceitá-lo e que conseguimos nos aproximar”, declarou Juliano.

Mas a princípio, a realização do documentário deixou o diretor brasileiro receoso. “No começo, eu não queria ficar preso em um lugar isolado com o meu pai. No entanto, ele insistiu e disse que, como está ficando velho, queria fazer esse registro. Mas eu acho que ele só queria que eu estivesse por perto. Ele sabia que seria uma experiência especial.”

Segundo Juliano, o documentário surgiu da vontade de mostrar o lado íntimo de seu pai. “Ele é um homem muito tímido, com muito pudor. Já existiam filmes sobre ele, sobre sua fotografia, mas eu queria fazer um filme que nascesse de sua história, de suas experiências, de suas recordações, para chegar ao fundo daquilo que mudou Sebastião Salgado.”

Além disso, Juliano revelou que o cineasta alemão já tinha interesse em fazer um filme sobre o artista. “Wim tinha muita vontade, há vários anos, e nós precisávamos de alguém que tivesse um olhar de fora, distanciado. Além de ser um mestre da imagem, Wim podia entender o quão difícil pode ser a relação entre pai e filho e ainda respeitar a intimidade do projeto.”

Wenders comentou sobre o convite para filmar o longa. “Um dia, Sebastião me perguntou se eu gostaria de acompanhar a ele e Juliano numa viagem sem objetivo preciso que eles tinham iniciado, e para qual eles perceberam que precisavam de um outro ponto de vista, de um estrangeiro.”

Para o diretor, só importava fazer algo grandioso sobre a obra do fotógrafo. “Existia minha abordagem, a de uma pessoa de fora e tinha a abordagem de Juliano como filho. Percebi que se nos juntássemos poderíamos fazer algo único. Poderíamos fazer filmes separados, mas nenhum deles seria tão grandioso quanto esse.”

No documentário, Wenders fala de seu primeiro contato com a obra de Salgado, que foi há 25 anos, ao ver a foto de uma mulher cega, feita para o projeto “Trabalhadores”. “Desde então, eu me tornei um admirador incondicional do seu trabalho, mas só vim a conhecê-lo pessoalmente há seis anos.”

Para o desenvolvimento do documentário, Wenders relembrou que ele e Juliano discutiram como transformariam a vida de Salgado em um filme dramaticamente interessante. “Quando começamos a produção pensei que faria apenas algumas entrevistas com Salgado. Aí percebi que seria melhor viajar com ele e, ao longo de um ano, tínhamos muitas horas de material filmado.”

As primeiras cenas captadas foram feitas em 2009, quando Juliano e seu pai viajaram à Amazônia, onde o fotógrafo fez o projeto “Gênesis”, sobre a tribo Zo’e, que ainda vive na era paleolítica.

Após ao término das filmagens, Juliano passou um ano e meio em Berlim, na Alemanha, editando as cenas juntamente com Wenders. “Tínhamos 15 mil horas filmadas que foram reduzidas para uma hora e meia. Wim encontrou uma bela forma de uni-las e construir a narrativa que precisávamos”, declarou o diretor brasileiro.

E o que fotógrafo achou do documentário finalizado e apresentado em Cannes? “Ele ficou muito emocionado quando viu a forma como eu o vejo”, contou Juliano sobre seu pai. O público também, pois o filme foi bastante aplaudido. E além de receber um prêmio especial da mostra Um Certo Olhar, o filme venceu o prêmio do Júri Ecumênico, que celebra obras sobre valores humanos.

 

Vanessa Wohnrath é jornalista e pós-graduada em Cinema. Produziu na faculdade o documentário “A Magia do Cinema: uma Projeção de Sensações, Emoções e Ilusões”. Há nove anos faz a cobertura da editoria de entretenimento. Trabalhou nas revistas Ver Vídeo e Blu-ray News, no site CinePOP e em agências de notícias, produzindo conteúdo para MSN, Yahoo! e Rolling Stone. Ela mantém os blogs No Mundo do Cinema e Cinegloss.

 

Fonte: http://pipocamoderna.virgula.uol.com.br/cannes-se-curva-a-sebastiao-salgado/310262

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