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Fotógrafo perde as pernas em acidente e redescobre a profissão

“Eu desde criança frequento samba. Eu gosto muito de escola de samba”, conta o fotógrafo Vicente Rodrigues.

Catorze anos atrás, Vicente não sabia. Nem podia imaginar que uma escola de samba iria devolver a ele a vontade de viver.

Vinte e cinco de julho do ano 2000: uma data que marcou para sempre a vida do fotógrafo Vicente. Foi nesse dia, na estação Cinelândia do metrô, no Centro do Rio, que ele caminhou pela última vez.

“Naquele dia eu resolvi sair mais cedo de casa, me pediram pra fazer um favor, resolvi fazer e eu tive que pegar o metrô, uma coisa que eu não estava acostumado a fazer naquele horário. E naquele dia aconteceu”, lembra Vicente.

Fotógrafo estava junto da linha amarela de segurança do metrô

Vicente estava junto da linha amarela, que marca o limite de segurança. Alguém esbarrou, ele perdeu o equilíbrio e caiu nos trilhos bem na hora que o trem chegava à estação.

Vicente perdeu as duas pernas, e perdeu também o amor à vida.

Foram muitos anos lutando contra a depressão.

“O primeiro ano foi muito difícil, muito difícil”, diz Rômulo Antônio Rodrigues, filho de Vicente.

“Ele vivia trancado, não queria falar com ninguém, se fechava muito, ele estressava à toa”, lembra Raíssa Dandara, filha do fotógrafo.

“Meu pai ele era a âncora da gente”, diz o filho de Vicente.

Problemas que só que têm necessidades especiais sabe como dói

Ele aprendeu a usar a cadeira de rodas. Mais difícil até hoje é lidar com os problemas que só os que têm necessidades especiais sentem como dói.

“O cadeirante no Rio de Janeiro, no Brasil em geral, ele é invisível. A diferença de estar na cadeira ou fora da cadeira é que eu com perna eu esticava o braço o táxi parava. Esticava o braço a van parava, esticava o braço o ônibus parava. Normalmente pego condução normal como qualquer pessoa. O motorista do ônibus “frescão” para o passageiro, quando eu faço sinal, ele para mais à frente, pega o passageiro e sai correndo de mim. Fecha a porta e vai embora”, conta Vicente.

Mas os motoristas não são os únicos grosseiros.

“Uma passageira não queria que ele me levasse, porque eu estava atrapalhando ela a chegar rápido onde ela queria chegar”, lembra.

Antigos clientes deixaram de contratar o fotógrafo

Antes do acidente, ele trabalhava em restaurantes fotografando clientes famosos. Era contratado também para festas particulares. Mas quando souberam que Vicente não podia mais andar. “Se você precisar de alguma coisa você pode me chamar, mas trabalho, o pessoal vai te ver nessa cadeira e não fica bom para uma festa. Quer dizer, eles me ofereciam o peixe, não o anzol pra pescar”, diz o fotógrafo.

Escola de samba oferece nova oportunidade de trabalho

Um dia, a escola de samba Grande Rio ofereceu o tal anzol tão esperado.

Trabalho ele tem o ano todo, mas na época do carnaval o ritmo é mais puxado. Nas vésperas do desfile, os operários trabalham a toda no barracão da escola. Vicente registra tudo. Os carros vão ficando prontos e brilham na Avenida.

É noite de festa, é a grande noite dos desfiles de escolas de samba. E de novo Vicente é o velho fotógrafo apaixonado, em busca do melhor ângulo, da melhor foto. E o mais importante: essa noite ele trabalha feliz.

Vida de fotógrafo não é fácil. Enquanto os foliões descansam, Vicente trabalha. Todo mundo se diverte, Vicente trabalha. Todo mundo bebe, Vicente bebe água. Tem que estar muito bem para aguentar o ritmo da avenida. Na hora que os seguranças cercam a celebridade, mostra que quem é cadeirante até leva vantagem.

Lição que aprendeu com a vida

“Se eles soubessem o quanto eu gosto de fazer, nem me pagavam pra isso, mas eles pagam”, brinca Vicente.

O que aconteceu não pode ser modificado. E a vida continua e é preciso seguir com ela. Foi a lição que Vicente aprendeu.

“O importante é que um trem daquele tamanho, é metrô, uma coisa pesada, passou por cima de mim e eu estou aqui pra conversar com você. Tá de bom tamanho”, conta Vicente, emocionado.

Fonte: http://g1.globo.com

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