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Um ano após perder visão em protesto, fotógrafo inaugura exposição em São Paulo

‘Piratas Urbanos’ traz 60 retratos de amigos, militantes, políticos e artistas usando tapa-olho para lembrar mutilação sofrida por Sérgio Silva graças à violência policial
por Tadeu Breda, da RBA
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Sérgio Silva inaugura exposição individual enquanto luta pelo fim das armas ‘menos letais’

 

São Paulo – Sérgio Silva tinha tudo para fazer de ontem (13) um dia carregado de lamentos e péssimas recordações, mas a inauguração da primeira exposição pública de suas fotografias disputou, na memória, espaço com as lembranças desesperadas do pior dia de sua vida.

Às 19h30, exatamente um ano depois de ter perdido a visão do olho esquerdo, alvo de uma bala de borracha disparada pela Polícia Militar de São Paulo, Sérgio Silva exibiu as imagens do ensaio-protesto Piratas Urbanos, uma série de 60 retratos de militantes sociais, artistas, políticos e, sobretudo, amigos, todos usando um tapa-olho para esconder o mesmo órgão que o fotógrafo perdeu enquanto cobria, na capital, a manifestação de 13 de junho de 2013.

Além de ter levado cerca de 20 mil pessoas às ruas contra o aumento na tarifa de transporte público, o protesto ficou marcado pelo alto nível de truculência policial: foram mais de duzentas pessoas detidas e outras cem feridas, entre as quais Sérgio, principal vítima da repressão às Jornadas de Junho na maior cidade do país.

“Essa exposição é uma denúncia à violência que a PM comete nas manifestações e nas periferias todos os dias”, pontua o fotógrafo, que desde então aderiu à causa da proibição das armas menos letais e mantém na internet um abaixo-assinado com mais de 45 mil assinaturas contrárias ao emprego de balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta sobre cidadãos.

“A exposição também pretende cobrar as autoridades pela violência que sofri, ainda impune, e chamar a atenção de que a repressão continua muito forte. É um apelo para que as pessoas se revoltem contra essa situação.”

Há algumas pessoas públicas entre os piratas urbanos retratos por Sérgio. Um deles é o fotógrafo Sebastião Salgado, um de seus ídolos. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e o músico André Abujamra também aceitaram posar com o tapa-olho. Os demais são amigos, familiares, jornalistas, companheiros de trabalho e de luta.

“Para mim, todos são igualmente importantes”, garante, explicando como o projeto, idealizado no início do ano, foi se tornando realidade. “No início, fiz retratos dos amigos que estavam mais próximos. Depois, quando passei a divulgar algumas fotos na internet, outras pessoas quiseram participar, como mostra de solidariedade”, define. “A bala que me atingiu feriu muita gente. As pessoas sentem revolta com o episódio.”

Sérgio conta as dificuldades que atravessou durante este primeiro ano vendo o mundo com um olho só. Além do ferimento, da dor e do desespero da perda, o fotógrafo passou por duas cirurgias: uma para retirada do globo ocular e outra para a colocação da prótese que hoje ajuda a aumentar a autoestima. Também foi um ano de derrotas no processo que move contra o Estado para a reparação dos danos morais, materiais e estéticos a ele impingidos pela truculência policial.

“Minha cegueira, num primeiro momento, me trouxe uma ponta de esperança. Pensei que o que tinha me acontecido despertaria uma consciência coletiva, e que essa consciência pediria o fim imediato da violência policial”, revela, sem esconder a frustração por saber que nada mudou. “Até agora, não ouvi nenhuma resposta positiva por parte do poder público.”

Por isso, Sérgio balança entre o desejo pessoal de sublimar a dor e a necessidade social de não deixar o episódio cair no esquecimento. “É um dia triste, mas também de comemoração. Não foi à toa que quis inaugurar a exposição em 13 de junho”, comenta. “Não quero que os absurdos do ano passado sejam esquecidos, mas não quero que seja apenas a data em que me tornei vítima da repressão policial. Um ano depois, 13 de junho será também um ponto muito importante em minha carreira.”

Exposição Piratas Urbanos
Inauguração: 13 de junho de 2014, um ano depois, às 19h30
Sede da ONG Coletivo Digital
Rua Cônego Eugênio Leite, 1117 – Pinheiros – São Paulo-SP
Quanto: Grátis
Em cartaz até 28 de junho
De segunda à sexta-feira das 10h às 19h, sábado das 10h às 17h
Informações: (11) 3083-5134

Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br

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