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Drones capturam diferentes ângulos de casamentos e custam até R$ 10 mil

Com hélices e iluminação neon, engenhoca tem sido usada em cerimônias.
Anac diz que está desenvolvendo proposta de regulamentação do artefato.

Lívia Torres

Do G1 Rio

Drone foi usado em um casamento na Igreja  Santa Teresinha do Menino Jesus, Botafogo (Foto: Foto Studio Equipe)Drone foi usado na Igreja Santa Teresinha do Menino Jesus, Botafogo, Zona Sul (Foto: Foto Studio Equipe)

A troca de votos e a promessa “até que a morte nos separe” ganharam uma nova testemunha durante as cerimônias de casamento. O “sim” dos noivos agora pode ser visto e registrado de cima, do mais divino dos ângulos, com o uso de um objeto voador (cada vez mais) identificado, que agora passa a ter suas funções exploradas pelo lucrativo mercado casamenteiro: o drone.

Câmera tem hélices protegidas (Foto: Reynaldo Cavalcanti)Câmera tem hélices protegidas (Foto: Foto Studio
Equipe)

Pega de surpresa, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ainda estuda uma regulamentação padrão e, por enquanto, analisa caso a caso. Monitorado por controle remoto, com hélices e iluminação neon, a engenhoca pode custar até R$ 10 mil ao bolso do casal.

“O boom do drone veio depois do casamento do Naldo com a Moranguinho. As imagens são como se os convidados estivessem assistindo ao casamento. Eu usei durante muito tempo a grua e, há um ano, comecei a usar drone nas cerimônias. Falo para todas as noivas: a câmera não chama mais atenção que elas. Na hora do jantar, eu faço uma edição e coloco a imagem da igreja para todo mundo ver. As pessoas acham fenomenal. Como precisamos de três pessoas para operar o drone, cobramos em média R$ 10 mil”, explica o diretor da Foto Studio, Reynaldo Cavalcanti.

Thais e Filipe optaram pelo uso do drone no casamento (Foto: Lucas Magno)Thais e Filipe optaram pelo uso do drone no casamento
(Foto: Lucas Magno)

Imagens aéreas em praia
A advogada Thais Amaro e o engenheiro Filipe Ferreira moravam em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. O engenheiro recebeu uma proposta para trabalhar no México e os noivos decidiram realizar a cerimônia em Tulum, no caribe mexicano. Para captar a paisagem paradisíaca, eles procuraram o fotógrafo Lucas Magno, que começou a fazer registros com o drone em 2014.

“É um ponto de vista diferente, que quase ninguém tem e quase ninguém faz. Além disso, sabíamos que seria perfeito para registrar de uma forma mais panorâmica o cenário, já que estávamos em uma praia maravilhosa. O drone captou com perfeição as cores e o espaço em que nós dois e todos os nossos convidados estávamos inseridos”, contou a advogada.

O casal carioca Thais e Filipe decidiu se casar no caribe mexicano e usou o drone para registrar a bela paisagem (Foto: Lucas Magno)O casal carioca Thais e Filipe decidiu se casar no caribe mexicano e usou o drone para registrar a bela paisagem (Foto: Lucas Magno)

Regulamentação
Para fazer as fotos em Tulum, Magno, que possui um drone de médio porte com uma GoPro acoplada, começou a treinar em lugares abertos. Como o aparelho possui hélice, ele explica que o ideal foi fazer o voo na água e em locais onde não houvesse risco de algum acidente.

“Aqui no Brasil eles vão apertar a legislação porque é um aparelho que pode machucar dependendo do tamanho. Eu, por exemplo, não tenho como ficar voando em cima das pessoas. Como o casamento foi na praia, eu fiz a orla, a areia, voei na água, porque tem uma hélice e pode cortar e machucar alguém”, afirmou o fotógrafo.

Em nota, a Anac afirmou que está em processo de desenvolvimento da proposta de regulamentação de operações não experimentais de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas por civis em áreas segregadas. A proposta deverá ser submetida ao processo de audiência pública este ano. A Anac afirma ainda que avaliará caso a caso os requerimentos para esse tipo de operação.

De acordo com a agência, para operar o equipamento é necessário possuir o Certificado de Aeronavegabilidade de Voo Experimental (Cave). Para operar um drone é necessário fazer uma solicitação à agência reguladora e aguardar a análise técnica, que dará, ou não, a permissão. Sem o Cave não é permitida a operação e o dono do equipamento está sujeito às penalidades criminais.

‘Hélices protegidas’
Para garantir a segurança, o fotógrafo Reynaldo Cavalcanti diz que usa hélices protegidas e que faz as imagens onde não há pessoas embaixo. “Sempre tem um assistente e ele tem horas de voo pra isso. Não coloco quem está aprendendo agora para ir a um casamento. Eu faço as imagens no corredor da igreja, na parte do altar onde não estão os padrinhos. Têm alguns cuidados e, ao mesmo, tem segurança também”, disse.

Anac diz que está desenvolvendo proposta de regulamentação do artefato (Foto: Reynaldo Cavalcanti)Anac diz que está desenvolvendo proposta de regulamentação do artefato (Foto: Foto Studio Equipe)
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