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O (IN)DISCRETO CHARME DO FOTÓGRAFO

Na França, a fotografia sensual para revistas masculinas na França é chamada de “photo de charme”, sabe-se lá porquê. Entre os muitos profissionais que pelo mundo ganhavam o pão fotografando carne, pele, pelos, bundas e seios, Jean-François Jonvelle — nascido em 1943 e morto em 2002 – foi nos anos 1970 um artista inovador e inspirou toda uma geração de fotógrafos com seu trabalho diferente do que o “status quo” da sensualidade vigente nas publicações de então, tipo a americana Playboy, produzia.

Jonvelle ia na contramão das fotos publicadas então pela revista — mulheres ultra produzidas e maquiadas, cheias de silicone, brincos, colares e outros penduricalhos sobre os corpos despidos, sempre em praias, mansões ou cenários exuberantes.

Seus nus eram cotidianos, caseiros, corriqueiros e sem nenhum rococó, mas muito sensuais e sempre em preto e branco. Uma eroticidade quase banal, mas com qualidade, ousadia e tesão mesmo, digo em bom português, ou melhor, em bom francês. Eram mulheres fotografadas como se não estivessem nem aí, como se estivessem sozinhas ou como se, na verdade, não estivessem posando. O supremo deleite dos “voyeurs” e adoradores de Onan, fotógrafos ou não, de plantão, lente, binóculo, buraco da fechadura e carteirinha assinada.

Para suas modelos, Jonvelle primeiro começou com amigas. Depois, com a fama repentina adquirida, muitas anônimas e atrizes de renome queriam tirar a roupa para que ele fotografasse.
Ele retratava as mulheres no dia-a-dia delas, nuas ou apenas insinuantes em lingeries nada sensuais, tipo calcinhas largas de algodão, sem maquiagem, bem naturais “au naturel” (sic) passeando em apartamentos e casas normais, envoltas em lençóis, não de seda ou de cetim, como era e é clichê nas especializadas. Só usava luz ambiente, isto é, janelas como única fonte de iluminação, dispensando “flashes”ou parafernálias de estúdio. Se a Playboy glamurizou a “vizinha do lado”, Jonvelle devolveu a naturalidade da mulher que sai do banho, troca de roupa e esquece de fechar as cortinas. Ele traduziu em fotos o estilo “nouvelle vague” do diretor François Truffaut — não é atoa que viu Jules et Jim onze vezes no cinema. Os pintores Francis Bacon, Balthus e Schiele também foram uma grande inspiração. O grande fotógrafo Richard Avedon, de quem foi assistente aos 20 anos, também o influenciou.

Mas a principal divulgadora do seu trabalho foi a revista parisiense de fotografia Photo (leia-se fotô, à francesa mesmo!) que o adorava e sempre reservava algumas páginas (mês sim e no outro também) para suas mulheres, nuas, sem roupas ou despidas (!), escovando os dentes, dormindo, lavando roupa, cozinhando, dormindo, pintando as unhas, dormindo ou em outras tarefas do dia-a-dia quase banal delas.

“Quando fotografo uma mulher, quero que ela saiba que é a mais bonita e desejada sobre a Terra” — dizia.

Bom proveito com as moças descuidadas, nuas, quase nuas e distraídas do mestre Jean-François Jonvelle!

 

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