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Artista edita 400 selfies de nudez para explorar o futuro da imagem on-line (+18)

Advertência: Este post contém muita nudez e provavelmente não é adequado para a maioria dos ambientes de trabalho.

É apenas uma questão de tempo para que, ao pesquisar no Google pela artista Jillian Mayer, você encontre uma série aparentemente infindável de selfies de nudez — 400, para ser exato. Esta é parte da mais nova obra da artista, intitulada 400 Nus, um experimento de identidade, autenticidade e sexualidade na era da internet. A obra está atualmente exposta no Museu de Arte Contemporânea de Montreal (Canadá), assim como em 400nudes.com.

“Grande parte do meu trabalho anterior lidava com identidade e existência no on-line e no mundo físico”, explicou Mayer em entrevista ao Huffington Post. “Tenho pensado muito nas selfies e havia trabalhado antes em um projeto com Tyler Madsen e Erik Carter, no site selfeed.com. Por isso assisti durante horas a postagens de selfies, e de vez em quando você vê aparecer um nu. Todos conhecemos selfies de nudez.”

Até aí é verdade. Desde a invasão maciça de fotos de celebridades nuas, em agosto, até o vazamento do Snapchat no início de outubro, as selfies de nudez estiveram constantemente no cérebro coletivo da internet. “Eu tinha começado a ler muito sobre isso e encontrei um site que dava dicas para garotas tirarem selfies nuas. A dica que eu achei mais interessante era: não mostrar o rosto. Diz, basicamente, para você remover do seu corpo nu sua identidade. Achei isso interessante e engraçado, mas também terrível. Evidentemente, eles estão tentando proteger as garotas com esse artigo, mas também estão preparando-as para o fato de que elas serão traídas.”

Mayer começou a pensar sobre como a selfie de nudez funciona na cultura contemporânea — como ela é divulgada, recebida e avaliada. “Quando essas garotas tiram essas selfies nuas, é interessante porque elas se tornam quase poderosas. Elas são a diretora, a modelo, a editora e o veículo de divulgação. Elas criam toda essa coisa e, no minuto em que a foto é divulgada, ela se torna um item de vulnerabilidade.”

Jillian Mayer/400nudes.com

 

Essa vulnerabilidade muitas vezes tem consequências perigosas. Um corpo nu exposto (e a vergonha muitas vezes ligada a ele na sociedade atual) pode prejudicar ligações profissionais, relacionamentos pessoais e laços familiares. “Existem vários relatos de garotas que cometeram suicídio quando sua selfie nua circulou. A vergonha que acompanha isso; como envergonhamos as pessoas por causa de seus corpos nus… É realmente uma coisa estranha.”

Esse tipo particular de imagem, tão comum e, no entanto, tão precário, serviu de inspiração para Mayer. “Foi quando eu tive a ideia de começar a colecionar as imagens e, então, colocar meu rosto no lugar do rosto original das garotas. Senti que poderia me tornar todas aquelas garotas e, assim, universalizar a selfie de nudez.”

Mayer embarcou em um projeto fotográfico incomum, simultaneamente fazendo os papéis da artista, da cientista louca e da troll da internet. O primeiro passo foi encontrar selfies de meninas nuas, muitas deles. “Eu estava procurando uma série diferente de mulheres. Consegui encontrá-las em sites pornográficos ‘de vingança’ [mídia sexualmente explícita que é publicada sem o consentimento do indivíduo mostrado], no Tumblr, no Google Images, no Reddit. Eu quero que essas imagens agora voltem e se misturem com as originais. O 400nudes.com serve de banco de imagens, sem informação artística. Essas fotos hoje podem percorrer a internet e aparecer quando as pessoas pesquisarem por esse tipo de coisa.”

O site 400nudes.com não contém vestígios de ironia ou consciência pessoal. A menos que uma pessoa tivesse conhecimento prévio das origens do site, ela veria apenas uma série interminável de mulheres comuns — algumas de lingerie ou nuas — segurando seus celulares diante dos corpos em pose para tirar a foto perfeita. Somente com uma análise mais acurada a pessoa começa a perceber que todos os rostos dessas estranhas despidas parecem conhecidos. Enquanto muitas parecem aceitavelmente realistas, em alguns casos a justaposição de rosto e corpo parece quase lynchiana.

“Quando comecei a imaginar o futuro da selfie de nudez, pensei que estamos dizendo a essas pessoas para cortarem fora suas cabeças, para se decapitarem, porque elas serão traídas. No futuro esse conselho poderá se transformar em: ‘se você vai mandar para alguém uma foto de si mesma nua, talvez tenha de considerar enviar um monte de corpos’ — dessa maneira a autenticidade já é abordada como uma questão. Ou aplicar Photoshop no corpo de certas maneiras, distorcendo-o para que não seja realmente você. A autenticidade importa na identidade? É isso que eu acho mais interessante.”

Os 400 nus de Mayer dissecam as propriedades e os efeitos bizarros da selfie de nudez, sem oferecer qualquer moral ou conclusão final. Em vez de censurar (ou elogiar) a cultura da selfie, Mayer revela as leis incríveis que construímos para proteger nossas identidades enquanto nos expomos.

“Agora isso vai começar a afetar minha busca no Google Image”, acrescentou Mayer.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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inezvinoodh/Instagram

 

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