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Opinião: Lançamentos analógicos para se refletir – ou não

por Bruno Massao

O artigo de hoje é um pouquinho diferente: já parou para pensar sobre os lançamentos analógicos de empresas como Leica e Fuji? Pois bem, se você não pensou, alguém o fez - Blake Andrews é um fotógrafo de Oregon e escreveu esse artigo em seu site, que foi reproduzido em vários sites - como PetaPixel. Blake nos autorizou a traduzir o texto para o Queimando Filme. ;)

Dois lançamentos de câmeras me deixaram encucado. O primeiro foi a M-A, o último modelo da Leica. O ponto de venda principal parece ser o fato de ser uma câmera completamente mecânia – sem bateria, sem fotômetro, sem LCD, sem autofoco, sem firulas. O que falta na câmera de utilidades modernas ela compensa com a simplicidade e a precisão mecânica. Ao invés de telas, você “lê a velocidade e a abertura diretamente da câmera e lente para se concentrar completamente no que está fotografando.”

Ok, tudo bem. Mas de que forma a M-A é uma evolução se comparada às suas antecessoras? Para mim, parece uma M3. A diferena é o preço – a M-A tem o preço sugerido de US$5.100. Em comparação, uma M3 usada em boas condições – basicamente a mesma câmera – vai te custar uns US$800.

leicablake

Vendo as especificações, por que alguém compraria a M-A? Ou então a MP que foi a antecessora direta dela? É simplesmente pra ter o mais atual lançamento? Porque é a unica razão que eu vejo, mas infelizmente o mundo age de um jeito que quase não faz sentido pra mim. Então eu fico confuso.

Pra completar o absurdo, a câmera vem com um rolo de Tri-X! Deve ser algum tipo de “starter kit”, pronto para ser utilizado assim que sair da caixa. O novo dono não vai nem precisar perder tempo procurando onde vende filme. Não tenho certeza se o filme já vem carregado na câmera, mas isso pouparia mais tempo ainda. Ou será que a ideia de usar qualquer filme além do Tri-X vai implodir a câmera? Não que tudo isso importe, porque eu aposto que em seis meses esse rolo de Tri-X vai estar dentro da câmera enquanto ela fica na prateleira pegando pó.

Se eu fosse mais cínico, eu consideraria a M-A uma piada de mau gosto da Leica: tira todas as funções, joga um rolo de filme que custa US$3.000 e vê quantos idiotas compram. Assim, numa próxima oportunidade eles poderiam simplesmente oferecer um bloco de madeira com adesivos da Leica e um rolo de Tri-X preso na lateral – e provavelmente alguém compraria esse bloco, e o filme ficaria lá preso do mesmo jeito.

Sério, Leica, WTF?

O outro lançamento que eu não entendo é da Fuji. Eles estão deitando e rolando ultimamente, dominando o mercado de fotografia instantânea, abdicado pela Polaroid. Esquece o Impossible Project. A Fuji reina. Eles fazem um produto bom com um preço razoável, e vicia mais que crack e cocaína. Toda vez que eu fotografo pessoas com a minha 210, eu sou perguntado a mesma coisa: onde eu consigo uma? A Fuji deveria cavalgar nesse cavalo pra valer, lançando produtos Instax pra lá e pra cá – ao invés disso, eles estão dormindo.

Eu estou falando da Instax 300, uma atualização mais que aguardada de Instax 210, que será lançada na próxima primavera. Quando eu ouvi os rumores, eu fiquei animado. Eu amo a minha 210 até a morte, mas ela é completamente automática, fazendo o que bem entende. Às vezes é a mesma coisa que eu quero, mas às vezes não é o que eu quero – e isso é um problema. Não seria maravilhoso se fosse uma câmera de mesmo formato, mas com mais funções – que o usuário poderia controlar? A maioria das câmeras tem esses controles hoje em dia. Será que a Instax 300 já não poderia incorporar essas funções?

fujiinstaxblake

A maioria de nós, usuários de Instax, espera uma câmera assim há anos. Finalmente, ela está aqui… e é basicamente a mesma câmera. A 300 faz a mesma coisa que a 210 faz, sem mais nem menos. Tem duas posições de foco, um flash burro, sem controle de abertura ou velocidade. Mas existem diferenças: o novo modelo é um pouco mais leve, duas vezes mais caro e três vezes mais feio – isso porque a 210 já está numa escala bem alta de feiura, o que indica muita coisa. Olhando para a Instax 300, você se pergunta se a Fuji contratou algum talento do design da década de 80.

E, ao mesmo tempo que eles desenvolveram essa nova câmera, que não oferece avanços significantes, a Fuji descontinuou todos os filmes de bordas diferentes que traziam caos para a linha Instax. Ou seja, suas fotos não precisam se esforçar tanto para serem chatas.

Dois passos pro lado, nenhum para frente. Fuji, WTF?

Enfim, tudo faz sentido. A grande energia criativa dessas empresas vai para os produtos digitais. A linha analógica recebe os restos, então é bem comum você ver esses produtos rodando num redemoinho ao invés de se afogarem direto. Se você pode vender uma câmera de 1950 com o preço de 2014, por que não? Eu posso não gostar da ideia, mas eu a entendo.

Mas tudo tem um lado bom – a última coisa que eu precisava para esse Natal era ficar tentado a comprar mais merda. Minhas câmeras funcionam bem e eu estou bem com elas. Mas que eu fico confuso, eu fico.

Fonte: http://www.queimandofilme.com

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