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Taxistas devolvem mais de R$ 45 mil em equipamentos esquecidos no Rio

Diretor de teatro perdeu câmeras e postou foto antes e após recuperá-las.
Fotógrafo esqueceu máquinas de R$ 40 mil e recuperou via aplicativo.

Cristina Boeckel

Do G1 Rio

Marcus, de camiseta verde, fez questão de tirar uma foto com Valdir quando recebeu de volta a mochila com as duas câmeras. (Foto: Arquivo pessoal/ Marcus Galiña)
Marcus, de camiseta verde, fez questão de tirar uma foto com Valdir quando recebeu de volta a mochila com as duas câmeras (Foto: Arquivo pessoal/ Marcus Galiña)

Dois casos semelhantes de honestidade e boa vontade têm movimentado as redes sociais entre os cariocas. Dois passageiros que esqueceram pertences em táxis no Rio, somando mais de R$ 45 mil em equipamentos, recuperaram tudo graças a redes sociais e aplicativos de celular. Em agradecimento, usaram a mesma internet para fazer “propaganda” dos taxistas.

No dia 21 de março, o diretor de teatro Marcus Galiña celebrou o aniversário de 70 anos da mãe com toda a família em um restaurante na Zona Norte do Rio. Ao sair de lá, embarcaram em um táxi para voltar para casa. Voltaram conversando e rindo com o motorista, Valdir de Souza, que até ganhou um pedaço de bolo. Ao chegar em casa, percebeu que havia esquecido a mochila. Nela, havia duas câmeras fotográficas, a do irmão e a do filho, onde estavam todos os registros do aniversário da mãe do diretor, além de um carrinho de controle remoto do menino.

Tentando encontrar os equipamentos, que custam, somados, R$ 6 mil, ele colocou um post no Facebook e em um site especializado em encontrar objetos perdidos em táxis de todo o país. O tempo passou e ele perdeu as esperanças. Mas, como a sabedoria popular afirma que coração de mãe não se engana, a aniversariante disse para o filho que teve um sonho no qual as máquinas apareciam. E insistiu para que ele voltasse a procurar.

“Eu não tinha mais esperanças. Achei que alguém pudesse ter achado no banco de trás do táxi e ter levado sem ele ver”, afirmou Marcus.

Vamos valorizar quem merece. Essa cidade precisa de bons exemplos, de bons profissionais”
Marcus Galiña,
diretor de teatro

Assim, Marcus ficou surpreso ao receber uma ligação do porteiro, às 10h da última segunda-feira (6), dizendo que Valdir, o taxista, estava na porta do prédio com a mochila azul.

“No dia seguinte, a minha mulher encontrou uma mochila azul no banco de trás e perguntou o que era. Eu não lembrava mas guardei. Depois de oito dias, eu olhei o conteúdo das câmeras com a ajuda do meu garoto e reconheci a mãe dele [de Marcus], que fez aniversário naquele dia. Aí eu fui lá na casa dele”, contou Valdir.

Para o motorista, o mais curioso foi que, após deixar a família de Marcus em casa, ele continuou trabalhando e pegou outros passageiros. Nenhum mexeu nos objetos esquecidos no banco traseiro. “A mochila continuou ali. Devem ter pensado que era alguma coisa minha”.

Lição para o filho
Marcus ficou tão impressionado com a demonstração de honestidade que agora faz questão de divulgar os serviços de Valdir para todos. “Depois de tantas notícias ruins no mundo, é maravilhoso encontrar alguém assim”, diz o diretor de teatro, que chegou a fazer um post no Facebook para divulgar os serviços do novo amigo.

Se eu estivesse no lugar dele, gostaria que alguém fizesse isso também por mim”
Valdir de Souza,
taxista

“Vamos valorizar quem merece. Essa cidade precisa de bons exemplos, de bons profissionais”, Marcus escreveu no Facebook para seus amigos.

Nascido em Caruaru, no estado de Pernambuco, a “terra do forró”, como gosta de dizer, Valdir de Souza mora no Rio há 30 anos. Para ele, a alegria de Marcus ao perceber que as fotos e vídeos do aniversário da mãe não haviam sido perdidos é inesquecível.

“O maior prêmio pela devolução foi ver a surpresa e o sorriso dele quando eu fui lá devolver. Se eu estivesse no lugar dele, gostaria que alguém fizesse isso também por mim. Não me interessa ter nada dos outros. Muito pelo contrário. Porque eu falei com a minha mulher, antes de saber que a mochila era dele, que eu queria devolver”, relata Valdir.

Casado e com um filho de 14 anos, o taxista acredita que este gesto pode ajudar na educação do adolescente. “Isso aí também serve de exemplo para o meu filho”.

Fotógrafo postou no Facebook história com nome e telefone do taxista, para promover a boa ação (Foto: Reprodução / Facebook)
Fotógrafo postou nome e telefone do taxista, para promover a boa ação (Foto: Reprodução / Facebook)

Fotógrafo passou por situação semelhante
O fotógrafo Faya Neto passou por uma situação semelhante a de Marcus no final de fevereiro. Ele solicitou um táxi por meio de um aplicativo de celular para levá-lo de seu estúdio ao prédio onde mora. Ele levava vários equipamentos de trabalho. Vinte minutos depois de chegar em casa, o interfone tocou. Era o taxista devolvendo uma mochila que ele havia esquecido no banco de trás. “Ate então, eu nem tinha me dado conta de que tinha esquecido a mochila”.

A mochila tinha uma câmera profissional, duas lentes, um HD com trabalhos que ainda não haviam sido entregues, cartões, um notebook e outros acessórios. O valor total do equipamento devolvido era de R$ 40 mil.

Rodrigo Serejo, o taxista, que trabalha na praça desde 2009, conta que logo depois que deixou o fotógrafo em casa entrou outro passageiro no carro, que alertou para a presença da mochila. “Quando eu soltei o passageiro, abri a mochila e procurei um telefone de contato. Não encontrei, mas vi que tinha notebook, máquina de fotos e outras coisas. Aí, fui até o prédio onde o tinha deixado e pedi para falar com ele. Eu dei sorte de o ter deixado em casa. Assim era mais fácil identificar de quem era a mochila”, disse.

Se algo não é meu, eu tenho a obrigação de devolver”
Rodrigo Serejo,
taxista

Rodrigo conta que esquecimentos são comuns nos bancos dos táxis. “Esquecem celular toda hora. Mas, às vezes, o passageiro tem que aguardar porque estamos em outra corrida. E no caso do celular é mais fácil de encontrar, porque geralmente a pessoa liga para o aparelho e também ele geralmente tem os números de amigos e da família na memória”.

Faya afirmou que é grato pela atitude do taxista. “Nos dias de hoje, a gente não espera este tipo de atitude, por isso eu fiquei muito surpreso. Eu não precisei ligar para pedir as minhas coisas de volta. Ele devolveu sem pestanejar”.

Rodrigo destacou que atitudes honestas podem ajudar a melhorar a fama da categoria de forma geral. “A fama de taxista já não é boa. Eu acho que a honestidade está na índole de cada um. Se algo não é meu, eu tenho a obrigação de devolver”.

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